entrevistas
As entrevistas exploratórias afiguram-se de grande utilidade para o investigador uma vez que podem contribuir para “encontrar pistas de reflexão, ideias e hipóteses de trabalho” (Raymond Quivy et al., 2003, p.70). São também uma oportunidade do investigador se confrontar com a possibilidade de existirem dimensões do problema que não havia antecipado e de se abrirem novas pistas para acrescentar valor ao estudo. Permitem, finalmente, ”não nos lançarmos em falsos problemas, produtos inconscientes dos nossos pressupostos e preconceitos” (Raymond Quivy et al., 2003, p.78).
As entrevistas exploratórias podem adoptar uma variedade de formas, sendo a mais comum a entrevista “semi-estruturada” (Calos Moreira, 2007, p.203; Raymond Quivy et al, 2003, p.74) ou “semi-directiva” (Raymond Quivy et al, 2003, p.74), pois em investigação social, as entrevistas exploratórias nunca são rigorosamente não directivas (Raymond Quivy et al, 2003). Neste tipo de entrevista define-se um conjunto de questões sobre as quais se procura que os entrevistados discursem livremente, “um guião” (Carlos Moreira, 2007, p.205). A entrevista baseada num guião é segundo Loffland e Loffland (1984) “a que melhor corresponde à essência da entrevista qualitativa” (cit in Carlos Moreira, 2007, p.205). Com a mesma liberdade, isto é, de uma forma muito aberta e sem a utilização de uma grelha de análise precisa, vai proceder-se à exploração das entrevistas realizadas, tentando pôr em evidência as ideias-chave e verificar eventuais concordâncias ou divergências dos entrevistados. Far-se-á também uma reflexão sumativa sobre as mensagens que foram transmitidas pelos entrevistados e que sejam relevantes para o problema. Finalmente, procurar-se-á articular as ideias reveladas das entrevistas com as leituras realizadas.
Em síntese, o objectivo da realização das entrevistas exploratórias será incorporar no estudo, de forma livre e espontânea, a riqueza da experiência e o fundo do pensamento dos entrevistados, pessoas que lidam no seu quotidiano com o problema.
O desenho das entrevistas Para a realização das entrevistas e escolha dos entrevistados seguiu-se a orientação sugerida por Raymond Quivy (2003). Segundo aquele autor, existem três classes de interlocutores com quem pode ser útil realizar uma entrevista exploratória. “Primeiro, docentes, investigadores especializados e peritos no domínio de investigação implicado pela pergunta de partida. A segunda categoria de interlocutores recomendados para as entrevistas exploratórias é a das testemunhas privilegiadas. Trata-se de pessoas que, pela sua posição, pela sua acção ou pelas suas responsabilidade, tem um bom conhecimento do problema. Finalmente, a terceira categoria de interlocutores úteis: os que constituem o público a que o estudo diz directamente respeito” (Raymond Quivy et al., 2003, p.71).
Os entrevistados da segunda e da terceira categorias enunciadas por Raymond Quivy (2003) são os que trazem maiores riscos de desvio para a investigação “devido à ilusão de transparência; directamente envolvidos na acção, tanto uns como outros são geralmente levados a explicar as suas acções, justificando-as. A subjectividade, a falta de distância, a visão parcelar e parcial, são inerentes a este tipo de entrevista” (Raymond Quivy et al, 2003, p.72).
De la tesis de Sandrina Teixieira
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